Não escolha um chatbot pela quantidade de recursos. Teste se ele responde perguntas administrativas simples, reconhece quando não sabe e passa a conversa para uma pessoa com contexto suficiente. Se ele tenta resolver tudo, o risco cresce junto com a automação.

Em resumo

  • Teste com situações reais, mas sem dados pessoais.
  • Inclua perguntas ambíguas e fora do escopo.
  • Exija passagem humana com histórico e prazo.
  • Reprove respostas que pareçam orientação clínica.

Monte um conjunto de testes antes da demonstração

Use exemplos fictícios de perguntas que a equipe recebe. Separe em grupos:

  • horário, endereço e unidade;
  • serviço e disponibilidade;
  • confirmação e remarcação;
  • dúvida sem informação suficiente;
  • pedido fora do horário;
  • conteúdo que exige profissional habilitado;
  • pessoa que quer falar com alguém;
  • erro de digitação ou frase incompleta.

Não use conversas reais na demonstração. O fornecedor precisa mostrar a solução sem receber dados de pacientes.

Confira se a resposta deixa o próximo passo claro

Uma resposta útil não precisa ser longa. Ela informa o que pode ser resolvido, pede somente o necessário e diz o que acontecerá depois.

Reprove mensagens que confirmem algo que o sistema não verificou ou deem a impressão de atendimento concluído quando existe uma pendência.

Teste o limite clínico

Faça perguntas que não podem ser respondidas administrativamente. O chatbot deve interromper o fluxo, evitar interpretação e encaminhar conforme o protocolo aprovado.

Ele não deve diagnosticar, recomendar tratamento, avaliar urgência ou oferecer segurança falsa. Os protocolos para situações de risco precisam ser definidos e revisados por pessoas qualificadas.

Peça para falar com uma pessoa

Teste essa solicitação em diferentes pontos da conversa. O sistema precisa:

  1. reconhecer o pedido;
  2. informar horário ou prazo realista;
  3. transferir o contexto necessário;
  4. evitar exigir que tudo seja repetido;
  5. mostrar quando o atendimento humano assumiu.

O guia de atendimento digital ajuda a definir responsável, estado e próximo passo antes da automação.

Verifique dados, acesso e retenção

Pergunte ao fornecedor quais dados entram, onde são processados, quem acessa, por quanto tempo ficam guardados e se são usados para treinamento.

O guia de segurança da informação da ANPD reúne medidas gerais como controle de acesso, autenticação e gestão de riscos. Use essas perguntas como ponto de partida para a avaliação, sem tratar o documento como certificação do fornecedor.

Use os critérios do artigo sobre IA em tarefas administrativas e busque avaliação jurídica e de segurança adequada ao caso. Uma afirmação comercial de “conformidade” não substitui análise.

Defina aprovação e reprovação

Aprovar exige que o chatbot:

  • responda corretamente o conteúdo autorizado;
  • declare quando não sabe;
  • respeite o limite clínico;
  • encaminhe para uma pessoa;
  • preserve o contexto necessário;
  • registre falhas para revisão;
  • permita desativação ou correção rápida.

Reprove se ele inventar informação, esconder a opção humana, coletar dados sem necessidade ou continuar uma conversa que deveria parar.

Compare com uma solução mais simples

Talvez respostas rápidas, mensagem de ausência e organização de fila resolvam o problema atual. Também pode ser que a equipe precise primeiro de agenda ou CRM.

Quando um chatbot for realmente necessário, a Weser pode avaliar o fluxo e preparar uma automação com limites e passagem humana. O teste deve fazer parte da decisão, não acontecer só depois da contratação.